Expedição Beach Show nas direitas perfeitas de El Salvador
Free surfers cearenses encaram Las Flores, Punta Roca e Punta Mango na The Surf City da América Central, com direito a dividir o pico com Jordy Smith.

El Salvador é um daqueles lugares que todo surfista de alma precisa visitar ao menos uma vez na vida. Ondas perfeitas, paisagens de tirar o fôlego, um povo simpático e acolhedor, o carimbo de CT Place da WSL, água quente... São incontáveis os motivos que levam milhares de surfistas ao país que se autointitula The Surf City e que em 2022 recebeu uma importante etapa da Elite Mundial. Prepare-se: se você ainda não surfou em El Salvador, ao ler esta reportagem correrá o sério risco de não resistir aos encantos desse fantástico país da América Central.
"É chegada a hora da arribada!"
No Ceará é assim: quando chega julho é hora de levantar acampamento e seguir em busca das ondas, onde quer que elas estejam. Foi com esse pensamento que a nossa barca saiu de Fortaleza no dia 01 de junho, 100% composta por free surfers cearenses: Gustavo Lopes, Eden Filgueira, os irmãos Jacob Gomes e Mateus Gomes, Jonathan Anjos, José Lucas e eu, Mardônio Paz, no comando da galera.
Fizemos uma maratona de voos — Fortaleza, São Paulo, Bogotá, San José — para finalmente chegar, no início da noite de 02 de junho, a San Salvador. Recepção em grande estilo, com Ricardo e Guadalupe nos esperando com plaquinha no aeroporto. Seguimos mais 3h de van até o nosso destino de desejo: a exótica região de Las Flores. Ficamos no Hotel Miraflores, que tem, sem sombra de dúvidas, a melhor e mais estratégica vista para o pico.

Las Flores de "olas abiertas" para a nossa expedição
Surfamos durante três dias seguidos em Las Flores. As ondas quebravam tão perfeitas e constantes que não queríamos sair para outro pico. Eram duas a três sessões por dia, com altos registros dos fotógrafos locais. Fizemos simulação de baterias todos os dias, só pra instigar a galera. Gustavo Lopes ganhou as duas primeiras dropando várias ondas da série; Jonathan Anjos venceu com folga surfando suas pranchas retrô e evolution; José Lucas ganhou a quarta com batidas na pressão, inaugurando mais um país no passaporte com sua nova 5'6" FC Surfboards. Quebrando a hegemonia dos regulars, ganhei a bateria final surfando fortes manobras de backside. Eden, Dr. Jacob e Mateus Gomes também pegaram altas ondas. Foi satisfação total!
No quarto e no quinto dias, o mar baixou e uma chuva torrencial tomou conta de El Cuco, com fortes trovões e relâmpagos. Aproveitamos para relaxar, afinal foram três dias consecutivos de sessões ininterruptas.

Cultura x natureza em El Salvador
Com o mar baixo, fomos ao rolé cultural. Alugamos uma van e conhecemos o maior vulcão do país, o Ilamatepec, também conhecido como Vulcão de Santa Ana, com 2.381 metros de altitude. Um vulcão ainda ativo, cujas últimas erupções foram em 1904, 1920 e 2005. São cerca de 3h de subida e 2,5h de descida por trilhas íngremes e rochosas, com vegetação nativa. No cume, uma vista deslumbrante: a cratera de até 500m de diâmetro emoldurando um lago azul-turquesa de visitação proibida, com águas entre 50 °C e 80 °C. Tivemos a sorte de o tempo abrir por cerca de 20 minutos em meio ao nevoeiro. Em seguida visitamos o Templo de San Andrés, da civilização maia, um verdadeiro mergulho na rica história pré-colombiana.

Dia Mundial dos Oceanos em Punta Roca e KM59
Celebramos o Dia Mundial dos Oceanos surfando Punta Roca e KM59, dois dos melhores spots de direita do planeta na opinião de lendas como Sunny Garcia. Nossa caída inicial foi em Punta Roca, palco da estreia de El Salvador no Circuito Mundial WSL. Ondas fortes, longas e perfeitas, de nível internacional. Tivemos a sorte de entrar sozinhos no mar por cerca de 40 minutos, até chegar nada mais nada menos que o sul-africano Jordy Smith, em treinamento para a etapa. Super simpático e educado, chegou respeitando a prioridade das ondas e elogiou uma direita do José Lucas, dando nota 8,0 ao grommet cearense — que abriu um sorriso que mal cabia no rosto.
Depois partimos para o KM59, possivelmente um dos lugares mais lindos de El Salvador: uma baía cercada por montanha rochosa coberta de vegetação nativa e altas ondas rolando no outside. O mais difícil foi escolher e comprar todas as imagens produzidas na sessão. Saímos da praia quase às 21h.

Punta Mango e a despedida no mais alto padrão
Saímos cedinho de Las Flores, ainda amanhecendo, no barco do Alberto, pai do Javier, nosso fotógrafo oficial. São cerca de 20 minutos de percurso com visuais incríveis. A chegada foi espetacular: logo de cara, uma série perfeita, lisa e tubular quebrando à nossa frente e um bom surfista moendo a onda até o seco. A galera foi ao delírio. Dividimos o outside com um crowd amistoso, surf tranquilo, muito respeito e diversão. Todos fizeram a cabeça e cravaram seus melhores high scores. Que sessão memorável!

Nossa última atividade foi contabilizar o campeão das disputas ao longo da viagem. E sabe quem foi? Todos! Os prêmios foram as amizades firmadas, as lembranças, as gargalhadas, as histórias e as altas ondas surfadas. Porque a nossa vibe e a nossa essência sempre serão essas. Então, se é show? É Beach Shooooow! Muito obrigado, El Salvador, e até a próxima.
Leia também
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Perguntas frequentes
Por que El Salvador virou destino de surf?
Por suas direitas longas e perfeitas como Las Flores, Punta Roca e Punta Mango, água quente e por sediar etapa da elite da WSL, se autointitulando The Surf City.
Quais os melhores picos de El Salvador?
Las Flores, Punta Roca, KM59 e Punta Mango, todas direitas de padrão internacional.
Qual a melhor época para surfar em El Salvador?
De março a outubro, temporada dos swells do sul, período em que as direitas funcionam com mais consistência.
Por Mardônio Paz Filho
Publicado em 02 de julho de 2026 por Redação Beach Show
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