Expedição Beach Show encara dois swells clássicos nas Ilhas Maldivas
Surf trip formada por free surfers e dois atletas profissionais encontra ondas perfeitas e novas experiências na pérola do Oceano Índico.

Expedição Beach Show / Travel S.A. foi contemplada com 2 swells clássicos no paraíso das Ilhas Maldivas.
A busca pela onda perfeita é o motor que impulsiona inúmeros free surfers ao redor do mundo a conhecer lugares e ondas incríveis! E no Ceará não poderia ser diferente. Na realidade, temos uma tradição de grandes free surfers que já viajaram milhares de vezes aos principais spots do planeta.
Nessa expedição, saíram de Fortaleza o casal de free surfers Rafael Mineirão e Régia Pontes, o jovem instigado Rafael Aquiles, Dr. Márcio Barata, o longboarder Aleksei Oliveira, o big rider kids José Lucas da Paz, de apenas 09 anos de idade, acompanhado por mim, seu pai e comandante da barca, Mardônio Paz Filho, e da minha amada, a free surfer Aline Fontoura. Em Guarulhos-SP encontramos a outra parte da barca, a galera casca-grossa da Praia Grande, litoral paulista, composta pelos experientes surfistas profissionais Flávio Nakagima e Ricardinho Ferreira e os free surfers Feliciano Cleomar "Papa" e seu filho, Claudinho Feliciano. Após todo o grupo reunido, recebemos as boas-vindas, ainda no aeroporto, do CEO da Travel S.A., Felipe Mastrocinque, com um relatório de previsão de altas ondas para as próximas duas semanas.

Seguimos em um voo transcontinental, atravessando o Oceano Atlântico e toda a África, até o Oriente Médio, no Catar. A chegada no Catar é aquele choque cultural da religião muçulmana, muito ouro, muita luxúria, as mulheres vestidas de burcas e os Sheikes vestidos com os seus vistosos turbantes. Em seguida, embarcamos para Malé, capital das Ilhas Maldivas, e o nosso destino já estava à vista, pois seu aeroporto fica às margens do Oceano Índico.
Ao desembarcarmos fomos recepcionados pelo Ali, fotógrafo e guia local. Os barcos já ficam colados no aeroporto, bem ao lado do terminal do desembarque. É algo surreal desembarcar já avistando e sentindo o cheiro do mar. Ao chegarmos, embarcamos no imponente e luxuoso iate "Princess Haleema" e fomos nos acomodar e tomar aquele café da manhã.
Caída inicial — Jails Reef Break
Bateu uma canseira e fui deitar um pouco. Pra minha surpresa, uma parte da galera foi pra água, no pico de Jails Reef Break, dar a caída de estreia: meu filho José Lucas, Rafael Mineirão, Rafael Aquiles, Aleksei e a galera da Praia Grande. Surfaram altas ondas logo na chegada, com 04 a 06 pés nas maiores da série. O "Big Rider Kids" José Lucas fez jus à fama e surfou a primeira onda da trip, deixando toda a galera impressionada com sua coragem em ir para o mar sem a minha presença e ainda botar pra baixo com atitude de gente grande. Naka e Ricardinho fizeram a mala e deram show, evidenciando o atual alto nível do surf profissional brasileiro. Os free surfers também pegaram altas ondas e voltaram de cabeça feita, porém bem preocupados com um fato: Rafael Aquiles foi arremessado para o final da bancada, precisando sair caminhando pela ilha até ser resgatado pelo nosso barco. Maldivas é assim, muita adrenalina!

Baixa na trip: Papa Cleomar de pé cortado!
Isso mesmo. Logo na primeira caída, Cleomar Feliciano, nosso querido e instigado "Papa", bolou em uma onda da série com outro surfista e foi atingido pela quilha da prancha em seu tornozelo, ficando gravemente lesionado — o que custou uma longa recuperação e praticamente o restante da trip sem poder surfar. Esperávamos que a recuperação fosse rápida, mas o corte inflamou bastante e teve que ser suturado com doze pontos no hospital da Ilha de Jails.
Mar épico em Sultans — 6 a 8 pés com forte vento terral!
Nossa segunda caída foi um verdadeiro presente na trip: ondas épicas quebraram pesadas e perfeitas na bancada do pico dos Sultões das Maldivas. Foram ondas incríveis surfadas pela nossa barca e por quem teve a sorte de estar presente nesse mar clássico. Ricardinho Ferreira e Naka deram novamente um show de surf. No dia seguinte, claro que repetimos a dose e surfamos Sultans novamente, pois ainda estávamos adrenalizados com tudo aquilo que tínhamos vivenciado. O mar havia baixado, mas ainda tinha altas ondas, com 3 a 5 pés nas maiores da série. Aline Fontoura entrou no mar para sentir a pressão das ondas oceânicas que não paravam de bombar. Em uma de suas investidas ela se chocou com o surfista local Wayan e teve o bico de sua prancha bruscamente quebrado. Claudinho Feliciano protagonizou um dos melhores momentos desta session, surfando a maior onda do dia. E Luquinha dropou no pico, no meio do crowd, passou por toda a bancada e foi aplaudido por todos — muito bonito ver a atitude e a coragem de um garoto de apenas 09 anos estreando dessa forma em sua primeira trip internacional.

Ondas perfeitas, surf e diversão em Ninjas
No dia seguinte fomos surfar em Ninjas. As meninas adoraram: uma onda bem soft, que quebra em cima de uma bancada de corais mais profunda e de forma bem mais suave. Foi só diversão! Quem surfou se deparou com ondas de até 1 metro perfeitas e alinhadas, abrindo por cerca de 100m de extensão. Um momento top da nossa trip, até para quebrar toda aquela carga excessiva de adrenalina que havíamos vivido nos dias iniciais.
Chickens funcionando a todo vapor
Para variar um pouco, surfamos a primeira esquerda de nossa expedição. E nada mal ter "Chickens" no cardápio. As ondas variavam de 04 a 06 pés, uma verdadeira máquina de ondas que bombava sem parar, com séries que eu mesmo contei de até 9 ondas consecutivas. Essa sessão foi memorável! As Ilhas Maldivas têm um potencial incrível: águas quentes e cristalinas e ondas de padrão internacional. Chickens, sem sombra de dúvidas, é uma delas.

Meu niver nas Maldivas, 4.4 turbo nitro
E qual presente poderia ser melhor que celebrar mais um ciclo de vida rodeado de grandes amigos e surfando altas ondas nas paradisíacas Ilhas Maldivas? Foi assim o meu dia neste paraíso: duas sessões de surf, uma em Ninjas e outra em Chickens, mar bombando ondas de 3 a 5 pés sem parar, todos felizes, e um pôr do sol espetacular visto de cima do barco de apoio na volta da sessão. À noite teve bolo surpresa ofertado pela Travel S.A., resenha do Luquinha e um vídeo produzido pela minha amada Aline Fontoura, com momentos da nossa trip e depoimentos de todos. Foi uma data muito especial e só tenho gratidão a todos que estavam presentes.
Desbravando o Atol Sul e o surf em Quarters
Essa sessão foi um surf diferenciado, com ondas bem menores do que já tínhamos surfado. Fomos conhecer esse atol e aproveitamos para surfar as ondas de Quarters, que fica em frente a um resort de luxo daqueles que vemos em filmes e revistas. O "Papa" voltou pra água, já bem melhor do machucado, e surfou de joelhos para não correr o risco de magoar o tornozelo — puro espírito Soul Surf. Aleksei botou seu longboard pra andar bonito, Régia Pontes e Aline Fontoura se deleitaram em suas ondas, e o final de tarde foi espetacular.
Cokes, a pérola da Ilha da Coca-Cola
Nossa despedida das Ilhas Maldivas foi em grande estilo. Surfamos a famosa onda de Cokes, onde fica a fábrica da Coca-Cola que deu origem ao nome do pico no cenário internacional do surf, e nos deparamos com uma das melhores sessões da trip. A onda é fantástica, tubular e longa. Ricardinho, Naka e Claudinho foram os primeiros a cair na água e voltaram premiados com altas ondas de extrema qualidade. Em seguida o restante da barca foi pro pico e surfamos até a exaustão para nos despedirmos desse verdadeiro templo sagrado do surf mundial.

As Ilhas Maldivas são exatamente tudo isso: ondas incríveis, perfeitas, fortes, tubulares e cristalinas, uma natureza exuberante e ilhas que parecem desenhadas à mão. Para finalizar, quero agradecer ao Staff Travel Maldivas, que nos tratou com muita atenção durante toda a expedição: Abdulla, Rubel, Shipon, Kawsar, Rasel e Nadheem, todos de Bangladesh. Nos vemos na próxima temporada, se Deus quiser.
Leia também
- Expedição Beach Show nas direitas perfeitas de El Salvador
- Secrets do Nordeste: os picos escondidos que poucos conhecem
Perguntas frequentes
Onde ficam as Ilhas Maldivas e por que são famosas no surf?
No Oceano Índico, ao sul da Índia. São famosas por ondas de padrão internacional, quentes, cristalinas e tubulares, quase sempre surfadas a partir de barcos em surf trips.
Qual a melhor época para surfar nas Maldivas?
A temporada de swell mais consistente vai de março a outubro, com pico entre junho e agosto, quando os swells do sul chegam com mais força.
Precisa ser surfista profissional para ir?
Não. Há picos para todos os níveis, de ondas suaves como Ninjas a pesadas como Sultans e Jails. O ideal é ir com guia e barco de apoio.
Por Mardônio Paz Filho
Publicado em 30 de junho de 2026 por Redação Beach Show
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